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sábado, 12 de maio de 2012

Torre de Babel Rubro-Negra



Por Leila do Flamengo


A Torre de Babel, segundo a narrativa bíblica no Gênesis, foi uma torre construída por um povo com o objetivo que o cume chegasse ao céu, para chegarem a Deus e estarem mais perto dele. Isto era uma afronta dos homens para Deus, pois eles queriam se igualar a ele. Deus então parou o projeto e fez com que a torre ruísse, depois castigou os homens de maneira que estes falassem várias línguas para que os homens nunca mais se entendessem e não pudessem voltar a construir uma torre. Esta história é usada para explicar a existência de muitas línguas e raças diferentes. A localização da construção teria sido na planície entre os rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia (atual Iraque), uma região célebre por sua localização estratégica e pela sua fertilidade (http://www.hostmach.com.br/passagens_da_biblia.htm).

Pois bem, poderia falar aqui sobre alguns de nossos dirigentes, que parecem querer se igualar a Deus, como Todo-Poderoso do clube, do castigo de falarem várias línguas ou da utilização diária de diferentes idiomas, quando abordados sobre uma mesma situação, especulação, negócio ou decisão, bem como da terra fértil e da localização privilegiada no cenário nacional do Mais Querido. Mas hoje quero falar da Torre de Babel das arquibancadas. Vamos a um breve histórico (fontes: www.flaestatistica.com e http://livroanacao.blogspot.com.br/2012/01/historia-das-torcidas-organizadas.html):

No dia 11 de outubro de 1942, num Fla-flu disputado em plena Laranjeiras, o baiano Jayme de Carvalho reuniu algumas pessoas com instrumentos musicais pra animar a peleja e incentivar o Flamengo. Porém, o grupo tocava um tanto quanto desafinado e o sempre crítico e locutor Ary Barroso, rubro-negro fanático, comentou: "isso não é uma torcida é uma charanga...". O apelido pegou e assim nasceu a PRIMEIRA torcida organizada do Brasil. 

Já em 1967, Jayme se afastou das arquibancadas por problemas de saúde. No período, a Charanga sofreu a  dissidência de um grupo que defendia a possibilidade da torcida protestar. Jayme não abria mão do apoio incondicional. Assim, surgiu a Poder Jovem, que em 1969 passou a se chamar Torcida Jovem do Flamengo. Vale destacar que as torcidas jovens surgiram com essa concepção, de torcidas que protestam, que são mais combativas e que cobram mais.

Em 1977, surgiu a Raça Rubro-Negra, que rapidamente se tornou a maior torcida rubro-negra. A ideia era fazer a torcida deixar de ser mera coadjuvante e praticamente entrar em campo com o time, ser uma torcida diferente de todas.

Finalmente, em 2006, nasceu a Urubuzada, uma torcida que a princípio surgiu com a intenção de se opor a violência nos estádios e de resgatar a filosofia de Jayme, pregando apoio incondicional. Tomou também por inspiração as torcidas argentinas.

Atualmente são essas torcidas que possuem maior relevância. Todas com sua história, cada qual com sua concepção ou capa de filosofia, não vou adentrar o mérito ou o demérito das citadas.

Mas acho imperativo criticá-las e também o próprio clube, diante da omissão em relação ao resultado final de tal divisão. Hoje nosso canto nos estádios está fraco, pois dividido. Hoje a Torre de Babel se faz presente, pois em que pese torcerem pro mesmo time, uma torcida organizada do Flamengo abafa a outra. Ou ficam silentes diante do canto da "adversária" (também rubro-negra), tornando nossa torcida pequena, com se estivesse presente em menor número (já que dividida por três). 

Afinal, qual clube possui 3 grandes torcidas organizadas? É certo que há clubes em que existem até mais do que 3 TO's, mas em geral existe uma gigante e outras minúsculas, quase irrelevantes. Como se não bastasse terem nos enfiado goela abaixo o Estádio de Engenho de Dentro, com o qual temos pouca ou nenhuma identificação, agora nossa torcida mal é ouvida. Volta e meia somos sobrepujados pela torcida do time visitante. Jogar em casa vem se tornando cada dia mais irrelevante. 


A verdade é que os egos tomaram o lugar da finalidade, cada organizada quer impor sua música, seu hino ou canto. Isso é o que importa. Analogicamente, cada uma quer se igualar a Deus, ser o Todo-Poderoso da arquibancada rubro-negra. 

Mas o castigo é duro e diante dessa babel o que temos visto é um time frio, distante, acomodado, desinteressado e sobretudo SEM ALMA.

Se é verdade que compram, ajudam ou doam algo às Organizadas, que ao menos exijam que seus representantes sentem a mesa e cheguem a uma solução ou consenso. O brocardo "A Maior Torcida do Mundo faz a diferença" não pode se tornar letra morta ou um mero slogan esvaziado.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

ADRENALINA E CHATICE




Por Leila do Flamengo


Bom dia Buteco!

Hoje fiquei encarregada de substituir o inigualável Gustavão, tarefa das mais árduas e complicadas.

A verdade é que o jogo da última 5a feira ainda não me saiu inteiramente da cabeça. Poucos momentos na vida me proporcionaram uma dose de adrenalina tão alta, reviravoltas tão incríveis, emoções tão intensas. Mas é isso que o futebol faz com a gente, é por isso que nos apaixonamos por esse esporte e, por mais inusitado que pareça, de alguma forma me senti satisfeita por ter vivenciado tudo que houve, memoráveis e inesquecíveis 90 minutos (embora, claro, tenha lamentado muito o desfecho).

Tal emoção também foi proporcionada porque estávamos disputando um Campeonato de porte, algo relevante, uma taça cujo exemplar é único em nossa estante, nada mais nada menos que uma Libertadores da América.

É importante deixar claro que a jornada de sentimentos na 5a feira, capaz de paralisar o Rio de Janeiro e deixar ansiosos até mesmo os integrantes da arcoirizada mal vestida, não elide o descaso e os erros que provocaram a precoce eliminação do Flamengo.

E são esses mesmos erros, provocados por essas mesmas pessoas que cansamos de aqui citar (a meu ver, Patrícia Amorim é a principal responsável), combinados com um campeonatinho mequetrefe, menor e disputado por timecos medonhos, que me levam a um grau de enfastio, desânimo e tédio bastante elevado.

A revolta, a raiva, a indignação começam a dar vez ao sentimento descrito acima. Aliás, no "jogaço" contra o Americano, muitas vezes o Flamengo se portou justamente dessa forma, enfastiado, jogando apenas pro gasto.

O pensamento que o Flamengo é e sempre será uma bagunça, que o profissionalismo nunca passará de uma ideia furtiva, fugaz, que as dívidas continuarão crescendo exponencialmente, levam a uma sensação de impotência (tão bem citada pelo Rocco) assustadora.

Não sei quanto a vocês, mas tenho achado uma chatice ler a cada dia que passa as mesmas notícias, são os argumentos fajutos da Dna. Patrícia, as mesmas frases prontas do Sr. Cascão, as pérolas de mediocridade verbalizadas pelo Sr. Joel Santana (a última alfinetando o flor é de doer), sem falar nos repetidos episódios de indisciplina e excessos dos jogadores.

O que me dá alguma esperança é a eminente saída da atual Presidente no final do ano e a expectativa de início de um novo Campeonato Brasileiro (mas nem tanto, se o time continuar sendo comandado pelo atual treineiro).

Sim, quero adrenalina, quero sentir o coração na boca, testar todas as coronárias e sorrir ao final. Mas só consigo sentir tudo isso quando o que está em disputa realmente vale a pena.

domingo, 1 de abril de 2012

MEDIOCRIDADE


Por Leila do Flamengo

Mediocridade é a palavra que me vem a mente quando leio manchetes como "Flamengo muda o foco e garante pensamento no Bangu", "Flamengo vai jogar com os titulares contra o Bangu", "Flamengo vai ter força máxima contra o Bangu".

Essa é a palavra que também inunda meus pensamentos quando vejo, leio ou ouço algo relacionado ao nosso atual técnico, Joel Santana. Um profissional medíocre, de conquistas medíocres, com ambições medíocres, com conhecimento tático medíocre, que gosta de fazer com que seus times joguem um futebol medíocre.

Medíocre também vem sendo o futebol e as conquistas do Flamengo. Sim, é difícil reconhecer, é chato pensar, é desanimador encarar, mas a verdade é que levamos 17 longos anos pra conquistar um mísero Campeonato Brasileiro. Pior do que isso, estamos há mais de 30 anos (TRINTA!!!) numa longa e interminável fila pra conquistar uma nova Libertadores.

Enquanto isso vamos colecionando taças do Carioquinha. Um campeonato que já teve sua graça, sua importância, mas que hoje se resume a ganhar dos 3 rivais locais. Muito, muito pouco. Sei que há quem ainda aprecie e goste do Estadual, mas, particularmente, vejo essa taça como um objeto representatativo dessa mentalidade pequena e medíocre que se apossou do CRF nos últimos tempos.

O mais triste é constatar o planejamento que foi feito (engana-se quem acha que não houve um). A Diretoria medíocre contratou um técnico medíocre pra ganhar um campeonato medíocre. Genial e absolutamente lógico e perfeito, não? Sim, diriam os medíocres.

Enquanto isso a tão almejada Libertadores é jogada pra escanteio e o jogo contra o Bangu, em Macaé, ganha contornos de decisão.

Já a partida contra o Emelec, disputada 3 dias depois, fora do país, na prática é tratada como pedra no sapato.

Além do risco de lesão, da falta de treinamento e correção de posicionamento (a verdade é que o Flamengo não treina), os jogadores voltarão de Macaé de avião no domingo a noite e, no dia seguinte, já pegarão o vôo pro Equador. Claro que chegarão todos bem descansados, devidamente treinados e bem preparados pro jogo decisivo. (In) questionável!

E nem como jogo treino a peleja de domingo servirá, uma vez que o Joel vem mandando a campo no Estadual um time misto, que conta com Kleberson e Diego Maurício, jogadores sequer inscritos na Libertadores.

Termino com a seguinte citação:

"Agradeço aos medíocres por terem me ensinado o que os vencedores jamais poderiam me ensinar. Com eles aprendi, exatamente, o que eu não devo fazer para obter o sucesso." Glauco Battista

Melhor seria virar tudo do avesso. Dane-se o Bangu, eu quero ganhar do Emelec e do Lanus.

sábado, 3 de março de 2012

Um domingo qualquer?



Por Leila do Flamengo

Bom dia amigos do Buteco, SRN!


O próximo compromisso do Mais Querido tem data marcada pra esse domingo, 04 de março, na ora tão falada cidade de Macaé. A princípio um daqueles joguinhos dos mais mequetrefes, contra um adversário tão intimidante quanto uma minúscula formiga perdida na mesa da sala.

Pois bem, eis que o destino, os Deuses do Futebol, São Judas Tadeu ou Aquele que escreve certo por linhas tortas resolveu furtivamente ou forçosamente nos brindar com um desfalque coletivo do chamado trio dos infernos, proporcionando assim um atrativo todo especial à próxima peleja (a propósito, claro que lamento a contusão do Airton e do Willians e também a não suspensão do Canelada por mais jogos rs).

Imaginem vocês como ficou a cabeça do Papai sem os seus tão amados volantes, sem Airton, Willians e Renato de uma só vez. O quê fazer?

Confesso que já tava imaginando que o Joel fosse optar pela formação com 3 zagueiros. Mas eis que a noite leio reportagem publicada no globo esporte informando que o atual treineiro, pra meu total espanto, promoveu uma verdadeira revolução (se formos tomar por base seus arcaicos conceitos). Ele treinou a meia com Luiz Antônio, Muralha e Camacho, faltando claro, o homem do milhão, que, ao que parece, agora simplesmente desistiu de treinar, mas inobstante é titular absoluto pra domingo.

Teríamos então um quarteto ofensivo com Camacho, R10, Love e Deivid. Não ficou simpático?




E ainda teríamos, como casal de volantes, Luiz Antônio e Muralha. Tais jogadores, se não não exímios destruidores e marcadores implacáveis, por outro lado sabem não apenas marcar, como também apoiar. Além disso, possuem mais fôlego e velocidade que alguns veteranos, podendo recompor com maior rapidez. Mas a verdade é que o time inteiro tem que marcar, até porque já ultrapassada essa concepção de praticamente dois times, um até o meio e que só sabe destruir e outro do meio pra frente, que se limita a jogar com a bola nos pés.

É claro que é um time desentrosado, é evidente que no futebol tudo pode acontecer, mas só o fato de podermos assistir essa formação ofensiva jogar, me agrada muitíssimo.

Isso, claro, se jogarmos mesmo com essa escalação, já que com o Joel no comando sempre existe a possibilidade de, nos minutos finais antes do jogo, bater o famoso medinho e ele optar por mais um jogador de defesa. Depois do jogo contra o Lanús, só vou acreditar depois de ouvir o juiz apitar o inicio do jogo.

Por fim, no melhor estilo Marcio Guedes e do próprio Buteco rs, deixo a recomendação do filme acima (muitos já devem ter visto), com Al Pacino interpretando o técnico, Cameron Diaz a dona do time, Jamie Foxx, o jogador talentoso e problemático e Dennis Quaid, um veterano craque, que luta contra as lesões. Hmmm acho que dá pra fazer umas boas analogias com o Flamengo, alguns dirigentes e jogadores, não? Que cada um revele as suas...

Bom sábado a todos e acho que dessa vez vamos poder finalmente almejar e cantar o famoso...

Vai pra cima deles Mengooo!

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Hoje, dia 03 de março, o ídolo máximo de toda uma nação, o maior responsável por fazer o Flamengo habitar o coração de milhares de pessoas por todo o Brasil e até mesmo mundo afora, o eterno craque que elevou a grandeza do Mais Querido a patamares imbatíveis, completa 59 anos de idade.

Desejo ao nosso ídolo maior felicidade, saúde e tudo o que há de melhor nessa vida, em proporções idênticas à alegria que nos proporcionou.

Parabéns galinho, a nação sempre te amará pra todo o sempre!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Meia pra que te quero...


Por Leila do Flamengo




Saudações amigos e nação rubro-negra.

Hoje vou falar de algo que considero de extrema importância e que muito me incomoda, a falta de um meia no Mais Querido.

Mas não é um meia qualquer ou um simples apoiador, termo genérico que abrange toda sorte de jogador que se posiciona entre o ataque e a defesa. Falo daquele meia cerebral, capaz de ditar os rumos do time e da partida. Falo do jogador com visão privilegiada, o dono dos pés dos quais nasce a jogada, que irá findar com a bola na rede adversária. Me refiro àquele jogador que, além de ter grande intimidade, carinho e respeito com a gorducha, sobretudo sabe fazê-la bem mandada, obediente e até mesmo faceira, indo aonde ele bem determina, caindo nos pés de quem ele, seguro, ordena. Salve o Maestro!

Pra quem já teve o prazer de saborear a genialidade do nosso eterno ídolo Zico e, mais recentemente, pôde assistir à técnica apurada, a elegância e a maestria do gringo Petkovic, ser obrigado a acompanhar os jogos do Flamengo com Canelada ou mesmo Willians armando as jogadas é dose pra mamute.

Numa linha mais pragmática, quem hoje temos no elenco a disposição pra tão ilustre e lustrosa posição? Camacho é um jogador que pode ajudar, mas ainda não possui tarimba e regularidade pra assumir a responsabilidade. Bottinelli é um jogador que, a princípio, poderia reivindicar a função, mas, apesar de gostar bastante do futebol do argentino, não o vejo como O camisa 10 pra comandar absoluto a meia e ditar os rumos da partida. Ele precisa de outro meia ao seu lado pra dividir a função, sem contar que ainda está em fase de adaptação ao futebol brasileiro e oscila muito, até dentro de uma mesma partida. Claro que, diante das opções que dispomos, pra mim o Bottinelli seria titular. Entretanto, ainda não o vejo como solução ideal pra questão em apreço.

Outra opção, essa mais controvertida, seria testar o Leo Moura na meia. Até acredito que possa dar certo, mas é algo que exige tempo de adaptação. O melhor momento pra isso seria a pré-temporada, que já se foi. Milita contra a alternativa não termos hoje um reserva confiável pra assumir a vaga de lateral direito.

Por fim sobra o homem do milhão, o Dentuço que já foi capaz de encantar multidões. Muitos - eu inclusa - o enxergam como o jogador ideal no elenco pra função citada, ainda que o R10 de certa forma tenha que se reinventar. Digo isso porque, de fato, sua posição nos melhores momentos da carreira é praticamente a mesma que ocupa hoje no Flamengo:


A propósito, quando penso que é o Canelada quem está ocupando a posição do Deco no desenho acima dá vontade de chorar, mas, prosseguindo... gostaria de ver o Dente jogando mais recuado e centralizado, ainda que como um ponta de lança.

A meu ver, essa reinvenção do Ronaldinho também se faz necessária, pois o atleta não possui mais alguns atributos de outrora, como velocidade, mobilidade, explosão etc...o tempo passa pra todos e ainda mais rápido pros chegados a noitadas em profusão.

Ou isso ou teremos que recorrer às compras (ainda lamento perder o Douglas), não esquecendo que os argentinos produzem vários desses excelentes jogadores, cuja arte de jogar futebol foi muito bem definida por Renato Senna em http://diario.esporteinterativo.com.br/futebol-argentino/2010/12/23/a-terra-dos-10/:

"De pincelada em pincelada, o pintor transforma uma tela branca em um quadro. De marretada em marretada, o escultor transforma uma pedra em um escultura. De cena em cena, o cineasta transforma frames em filmes. Com domínios, passes e lançamentos perfeitos, a função do camisa 10 é transformar bolas quadradas e bico para a frente, em chances de gol para os atacantes. O trabalho dos meias é tão artístico quanto o de qualquer outro artista, que transforma um material bruto em arte final."

Bateu saudade dos nossos maestros...

Bom domingo a todos, fazendo votos por uma bela estreia do Vagner Love, com vitória convincente do nosso Mengão.

PS. Mas eu quero saber mesmo é do jogo de 4a feira, prioridade é a Libertadores, ouviu Seu Joel?

domingo, 11 de dezembro de 2011

EU, COACH



Por Leila do Flamengo

Terminada a temporada 2011, começa a fase negra das especulações, do vai e vem, barcas, botes, naufrágios e resgates, possíveis reforços etc e tal.

Queridos amigos do Buteco e visitantes, que tal aproveitar o período e brincar de coach? Já deixo de antemão ressalvado que sou mera curiosa e meus conhecimentos sobre tática ou posicionamento são mais do que amadores e superficiais. Trata-se apenas de um interesse, algo que recentemente chama cada vez mais minha atenção.

Imaginem um tabuleiro pintado de verde, com as seguintes peças a disposição:

Goleiros: Felipe, Paulo Vitor e Vinícius.

Zagueiros: Alex Silva, David Braz, Ué e Gustavo.

Laterais direitos: Leo Moura e Galhardo.

Laterais esquerdos: JC, Egídio, Alvim e Magal.

Volantes e meias: Airton, Maldonado, Willians, Muralha, Renato Abreu, Kleberson, Luiz Antônio, Bottinelli, Fierro, Vander, Tiago Neves e Ronaldinho.

Atacantes: Deivid, Jael, Diego Maurício, Negueba e VAGNER LOVE***

*** Acho interessante imaginarmos o Fla 2012 com e sem o artilheiro do amor. Almejado por 9 a cada 10 rubro-negros, tenho a impressão que muitos o enxergam simplesmente no lugar do Deivid, mas se esquecem que o Love é 2° atacante. Sua eventual compra tem várias consequências pro esquema como um todo, algumas mencionadas mais abaixo, mas que tal imaginá-las?

Intrinsecamente relacionado à escalação está o esquema tático a ser definido.

O "esquema da moda", inclusive usado pelo atual campeão brasileiro, é o 4-2-3-1. No caso abaixo, serviu de modelo pra seleção do Brasileiro feita pelo André Rocha, do blog olho tático (e responsável pela criação das imagens utilizadas no post, com exceção da última):



Nesse esquema quem eu imagino?


Felipe;


Leo Moura (ou Willians improvisado), se não vier um desejável reforço pra posição;


Alex Silva e David Braz (se não vier um desejável reforço pra posição)


JC;


Airton e Muralha;


Na linha de 3, R10 centralizado, TN na esquerda, Thomás (ou Luis Antônio) na direita.


Deivid


Não vejo muito o Love nesse esquema, seria o atacante aberto na direita? Talvez. Colocá-lo no lugar do Deivid, a meu ver, seria "matar" o jogador. Ele não costuma fazer o pivô e nem jogar de costas (até onde sei), entre os beques.


Em 2011, passamos boa parte do tempo jogando no esquema conhecido como árvore de Natal, o 4-3-2-1. Um esquema considerado por muitos como retranqueiro, já que privilegia a defesa, a base maior da árvore:



Já na reta final do campeonato, vimos o Deivid mais recuado, compondo um 4-3-3 (http://a-prancheta.com/wp-content/uploads/2011/12/Vasco-x-Flamengo-Dec.2011_POSICIONAMENTO-2.jpg). Jogamos no 4-3-3 também no início do ano, com Ronaldinho como falso 9, lembram?



Esse é o esquema do badalado e pra mim encantador Barcelona. O 4-3-3 com falso 9:



É fácil notar que nesse esquema os volantes têm papel preponderante. Nada mais, nada menos que Xavi e Iniesta é que fazem o esquema funcionar. Por óbvio e ululante, não é possível fazer o mesmo com Renato e Willians, como foi tentado ao longo do ano.


Nesse esquema, eu faria um teste com as seguintes peças:


Felipe;


Leo Moura (ou Willians improvisado), se não vier um desejável reforço pra posição;


Alex Silva e David Braz (se não vier um desejável reforço pra posição)


JC;


Na linha de 3 volantes: Airton centralizado; Muralha na esquerda, Luiz Antônio na Direita;


Na linha da frente: TN, R10 (o falso 9) e Love (ou o contrário). Sem o Love, Thomás comporia o ataque.


A questão é, os meninos já estão preparados pra assumir a titularidade? E mais do que isso, é um esquema em que mais do que nunca a linha de volantes e do ataque TÊM que jogar próximas, o time têm que ser muito compacto e muito entrosado. Pode dar certo, mas é preciso treino, treino, treino...


Pra inspirar o pessoal, um time mágico pra mim, o Fla de 87, no 4-3-1-2:




Goleiros, laterais e zaga é desnecessário repetir.


Imagino Airton de 1o volante, Bottinelli onde está o Zinho, Muralha ou Luiz Antônio no lugar do Aílton, R10 na posição do nosso eterno camisa 10, TN de um lado, Love do outro. Pode dar caldo hein...


Por fim, deixo uma última opção, o Fla no 4-4-2, com TN e R10 recuados:




Nesse esquema, entraria o Love no lugar do Diego Maurício.

Não enxergo, contudo, o Tiago Neves recuado, pra mim é um jogador com faro de gol, finalizador.

Mas, é aquilo, o importante é o COLETIVO funcionar, se um ou outro tiverem que ser sacrificados em prol de um bem maior, que é ver o Flamengo como uma máquina, uma engrenagem a pleno vapor, sou favorável.

Agora é com vocês, ilustres butequeiros e visitantes, sem timidez rs

Deixe a imaginação fluir e conta pra gente qual seria a escalação e o esquema tático ideal pra fazermos bonito na Libertadores 2012.

SRN!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

SABADÃO EM LARANJÓPOLIS COM MENGÃO NEW GENERATION


Por Leila do Flamengo

Sábado cinzento no Rio e a enfadonha ida ao salão já tinha ganho a pauta do dia. Antes, porém, uma olhadinha básica no twitter e lá estava o Arthur (@mengãohepta) anunciando o jogo dos meninos da base. Fla x Flu aqui perto pra ver a garotada da Copinha, não precisei de muito tempo pra chutar o salão pra escanteio. Demorou.

Na ida, nas redondezas da São Salvador, devidamente trajada com o Manto, uma voz grave e alta se dirige a mim sem o menor pudor. O elogio eloquente ao manto, junto com olhares e sorrisos durante o trajeto, já aflorou todo meu orgulho flamengo. Mais adiante, já nas proximidades da floricultura, me deparo com uma cena inusitada, um basset trajado de flu kkk. Gargalhei internamente e pensei, tudo a ver.

Finalmente, lá chegando busquei uma melhor visão do campo, sentando no degrau mais alto da arquibancada. Minhas atenções ficaram divididas entre o jogo e alguns personagens ali presentes, inseridos num agradável ambiente familiar.

Logo abaixo, marido, mulher e filho. Ela rubro-negra, ele tricolor e o filho, claro, Mengão. Não tive como deixar de notar o adjetivo que ela usou ao se referir a ele: "é um desviado".

Encostado em uma das pilastras, vendo o jogo todo de pé, um autêntico rubro-negro que, com sua voz possante, incentivou o time o tempo inteiro. Pensei tratar-se de um integrante de organizada, mas que nada, era "apenas" o Beto, um grande torcedor que faz questão de estar presente e levar seu pequeno consigo. Olha a dupla aí do lado.

Vi o jogo ao lado de uma torcedora e lá pelas tantas fico sabendo tratar-se de nada mais nada menos do que a mãe do Lucas, Jaqueline. Melhor ainda, pois mesmo antes de conhecer o fato, já havia elogiado o jogador. Simpaticíssima, foi emocionante assistir a partida ao lado de alguém que, além de torcedora, é mãe. Sentada depois dela, Vanda, a mãe de outra promessa e autor do nosso gol de pênalti, o camisa 10 Pedrinho (na foto ao lado, a de camisa vermelha é a Jaqueline e a de jaqueta preta a Vanda).

Agora, imaginem vocês o que é torcer pelo Flamengo e por um filho ao mesmo tempo. Até aonde vai a adrenalina e a tensão dessas verdadeiras guerreiras. Sei que eu, mera torcedora, quando abrimos o placar, fiquei com o braço todo arrepiado. Então, toda vez que estiver mega estressada com algum jogo, vou pensar nessas mães flameguistas, que sofrem em dobro e seguram o rojão. Parabéns pra elas.

Sobre o time e os jogadores em si, confesso que fiquei encantada com o futebol do Lucas, pra mim o melhor do jogo. Apesar de ser atacante e finalizador, o que notei é que o Lucas tem algo raro em jogadores dessa posição: visão de jogo. Ele sabe jogar a bola no vazio criando espaços e desconcertando a defesa adversária. Parece um camisa 10 atuando perto da área. Também percebi que raramente perde pra seus marcadores. Quando cai pela ponta, vai pra cima e, com velocidade e bom drible, leva muito perigo ao adversário.

Conversando com a Jaqueline ela me disse que o Lucas já está no Flamengo há 13 anos. Revelou também como foi sofrido o processo de lidar com as lesões. Nos últimos tempos, ele teve uma lesão muscular grau 1, que evoluiu pra grau 2 e chegou a grau 3. Ciente da informação que era apenas o 2o. jogo, após um grande período de afastamento, confesso que fiquei ainda mais entusiasmada com o potencial do jogador.

Em não muito tempo acredito que teremos uma excelente opção vinda da base. Muita calma, no entanto, já que a posição é das mais cobradas e atrai os maiores holofotes. Céu e inferno têm limite tênue nesse caso, mas tal fato também não deve impedir o desenvolvimento natural do atleta. Sou capaz de afirmar que, em 2012, ele já estará preparado pra treinar com o grupo de cima.

Algo que chama a atenção no time é a ausência de volantes botinudos. O time jogou com 3 volantes (formação que não gosto), mas tendo qualidade no passe. A distinção com o profissional não é pequena. Dentre os volantes, me chamou atenção o Vitor Hugo, que passa bastante segurança dentro de campo.

Já no 2o. tempo, incompreensivelmente, o treinador tirou o Lucas pra colocar o Adryan. Logo de início o que se nota não é o futebol, mas sim o cabelo (um moicano loiríssimo) e as chuteiras caneta marca texto. Preocupante demais.

A habilidade do jogador com a bola é diferenciada, mas não foi suficiente pra mudar os rumos da partida. Jogar de forma mais coletiva também não pode ser esquecido. Numa das faltas que bateu, a melhor opção era cruzar e não bater direto. Acredito que o Adryan ainda não está pronto pra subir. Precisa sobretudo de foco, sem o qual seu grande futebol periga ficar diminuído. O técnico também não ajudou ao colocá-lo no lugar do Lucas, como 2o. atacante. Ninguém entendeu nada.

Por falar nisso, nossa promissora base merecia um técnico de melhor qualidade. São erros grosseiros como o descrito e notei que há uma certa deficiência também na organização do time. Apesar das habilidades individuais, nem sempre o time está bem postado em campo. Volta e meia a bola ficava presa em uma das laterais do campo, com o setor completamente congestionado, não resultando em nada.

Por outro lado, chama a atenção como os jogadores jogam com raça, nunca dando uma bola por perdida.

Ao final do jogo, já na calçada, dei de frente com o Lucas e me agradou demais a postura dele. Visivelmente chateado com o empate (na casa do adversário) ele me disse, mas o próximo vamos vencer.


Termino dizendo que depois de assistir a 'new generation', pra mim ficou ainda mais claro que botinudos como o Canelada e Willians estão completamente ultrapassados.

domingo, 13 de novembro de 2011

FOGO AMIGO


Por Leila do Flamengo


Em batalhas e guerras mundo afora é esse o termo cunhado quando aquele que, ao invés de lutar ao lado, junto, contra um inimigo em comum, por imperícia, imprudência ou negligência (definição esta na realidade dos crimes culposos) acaba por atingir, matar, derrubar, quem está do seu lado.  

E o que vi nesse domingo foi uma demonstração clara, vigorosa e inequívoca de fogo amigo. Vindo do banco, de quem se espera ser aliado, parceiro, um bom líder e comandante.

O pior do fogo amigo é que pega a vítima sem defesa, não raro por trás, de forma inesperada e sem chance de defesa. A única coisa que resta é lamentar. Um lamento profundo, triste, pois se sabe que não devia ter acontecido. Não é algo natural, viola a tendência normal dos fatos, como desviar o leito de um rio. 

Quem mora no Rio talvez tenha tido a infeliz experiência de assistir as águas da Lagoa tomadas por peixes mortos, algo muito triste, algo que nos pensar de imediato que tem algo terrível e muito errado acontecendo. E o fedor é digno de nota.



Tantas analogias pra manifestar minha total discordância com os atos praticados pelo Sr. Wanderley Luxemburgo.

Os erros começaram antes da bola rolar, eis que o Renato lentidão Canelada voltou ao time como titular absoluto.

Muralha, o volante que mudou os rumos da última vitória, sequer foi relacionado pro banco!!

Ao invés disso, Willians (aquele mesmo que simplesmente desapareceu momentos antes do jogo contra o Grêmio) e, sempre ele, Fierro, o jogador que cismaram de atribuir a pecha de coringa. Colocam-no indiscriminadamente como volante, lateral, meia etc, etc.

Antes do término do primeiro tempo, o fogo amigo letal, covarde, criminoso, daquele que declara publicamente querer preservar os meninos da base, mas na prática faz o contrário. Retirou o Thomás, mal posicionado na esquerda (quando devia estar no meio ou na direita) e, mesmo perdendo de 2 a 0, colocou um volante!! Willians.

Se a saída de bola estava ruim, se a transição defesa-ataque não funcionava, o quê o fez colocar um volante como o Willians? Vander seria a opção mais lógica e razoável, sem contar que talvez uma mera troca de chuteiras no intervalo poderia fazer o Thomás melhorar em campo.

Mas não, caros amigos do Buteco, o fogo amigo hoje em forma de metralhadora giratória não parou por aí.

O nobre treineiro sempre alegou que optava por retirar um dos volantes amarelados, pra evitar a expulsão.

O que se viu? Ele retirou o Airton, mas manteve o Canelada amarelado em campo. Em seu lugar, o Fierro, numa das substituições mais estapafúrdias que já presenciei.

Nem acho que Willians e Fierro tenham entrado mal. Mas o principal problema, desde o primeiro minuto de bola rolando não foi solucionado. Saída de bola e transição defesa-ataque.

Por fim, até o Leo Moura (que há tempos não consegue fazer boas partidas) foi sacado, mas claro, o Insubstituível, permaneceu em campo. Haja o que houver, com cartão ou sem cartão, o time precisando de velocidade ou de maior poder de marcação, lá estará ele, desfilando toda sua categoria e classe.

Menções honrosas também pro Ronaldinho baladeiro, que a cada dia demonstra estar muito mais interessado nas suas festanças, do que em jogar bola.

O juizinho e saiba-se lá o que existe por trás disso também nos garfou de forma inequívoca, ao deixar de assinalar um dos pênaltis mais flagrantes do campeonato.

Porém, verdade seja dita, não jogamos nada, criamos pouquíssimas chances de gol e não merecemos a vitória (em que pese no futebol não haver necessariamente merecimento).

Os Deuses do futebol fizeram a sua parte. Foi mostrado a olhos vistos, ainda que na base da sorte, do improvável, o Flamengo ideal, o Flamengo que funciona, que prioriza o sistema ofensivo, que sai de forma rápida e veloz da defesa pro ataque, que joga de forma insinuante, envolvente e capaz de fazer uma enxurrada de gols. Bastava manter, seguir a lógica, não atrapalhar.

Mas não, ele, o atual DONO do futebol do Flamengo, teve que inventar, OPTOU por colocar um time lento e velho em campo, com o surrado e inoperante esquema de 3 volantes tão logo teve oportunidade.

Fica a pergunta: sobreviveremos ao fogo amigo?